Cartões de Milhas: Como Acumular Pontos e Voar de Graça com Bancos Brasileiros
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Cartões de milhas valem a pena? Compare programas do Itaú, Bradesco, BTG, C6 e Nubank e descubra como acumular pontos para voar de graça.

Milha aérea virou moeda. Quem entende as regras do jogo consegue trocar gastos do dia a dia por passagens, upgrades e hospedagem — sem desembolsar um centavo a mais. Quem não entende paga anuidade cara e vê os pontos expirarem na conta sem usar.
A diferença entre os dois cenários está na escolha certa do cartão e em alguns hábitos simples de uso. Este guia compara os principais programas de milhas disponíveis nos bancos brasileiros e mostra como fazer os pontos trabalharem de verdade.

Como Funcionam os Programas de Milhas no Brasil
Quando você compra com um cartão de crédito que acumula pontos, o banco registra uma quantidade de pontos ou milhas proporcional ao valor gasto. Esses pontos são transferidos para programas de fidelidade aéreos — principalmente LATAM Pass, Smiles (Gol) e TudoAzul (Azul) — e podem ser resgatados por passagens ou outros benefícios.
A taxa de acúmulo varia muito entre cartões. É expressa em pontos por dólar gasto ou pontos por real gasto, dependendo do programa. Alguns cartões também transferem para programas internacionais como American Airlines AAdvantage ou Flying Blue (Air France/KLM).
Pontos vs. Milhas: Existe Diferença?
Tecnicamente, sim. Pontos são a moeda interna do banco (como os pontos Itaú ou os pontos do C6). Milhas são a moeda dos programas aéreos. Para usar os pontos em passagens, você transfere do banco para a companhia aérea — e essa conversão nem sempre é 1 para 1. Conhecer a taxa de conversão do seu banco é essencial antes de escolher para qual programa transferir.
Comparativo: Cartões de Milhas dos Principais Bancos

Itaú Personnalité e Cartões Itaú (Programa Sempre Presente / Parceria com LATAM)
O Itaú tem uma das maiores redes de cartões com acúmulo de pontos do Brasil. Os cartões da bandeira Mastercard Black e Visa Infinite do Itaú costumam oferecer taxas de acúmulo mais altas e a possibilidade de transferir pontos para LATAM Pass, Smiles e TudoAzul. Os cartões de entrada acumulam menos pontos por real gasto e podem ter conversão menos favorável.
O ponto de atenção é a anuidade: cartões premium do Itaú podem cobrar valores elevados, que só se justificam se você gastar o suficiente para gerar milhas em quantidade relevante. Clientes Personnalité costumam ter condições diferenciadas.
Bradesco (Programa Livelo)
O Bradesco trabalha principalmente com a Livelo, plataforma de pontos que permite transferência para LATAM Pass, Smiles, TudoAzul e outros parceiros. Os cartões Bradesco Visa Infinite e Mastercard Black entram nas categorias de maior acúmulo.
A Livelo também tem um marketplace próprio onde você pode trocar pontos por produtos, viagens e experiências — o que dá mais flexibilidade. A taxa de transferência para programas aéreos pode variar conforme promoções da própria Livelo, que periodicamente oferece bônus de até 100% na conversão.
BTG Pactual (Cartão BTG)
O cartão BTG se diferencia por trabalhar com cashback e pontos no mesmo produto, dependendo da modalidade escolhida. Para quem quer milhas, o BTG permite transferência de pontos para programas aéreos com taxas competitivas. O cartão Mastercard Black do BTG também oferece benefícios de lounge e seguros de viagem, o que agrega valor para quem viaja com frequência.
C6 Bank (C6 Carbon e C6 Match)
O C6 tem o C6 Carbon como carro-chefe para acúmulo de milhas. O programa de pontos do C6, chamado Átomos, permite transferência para LATAM Pass, Smiles e TudoAzul. O C6 Carbon cobra anuidade, mas ela pode ser zerada ou reduzida conforme os gastos mensais do cliente — o que é uma vantagem para quem usa o cartão como principal meio de pagamento.
Veja uma análise mais detalhada do Banco Inter e do C6 para entender como os bancos digitais se posicionam nesse segmento.
Nubank (Nubank Ultravioleta)
O Nubank entrou no jogo de milhas com o Ultravioleta. O cartão acumula pontos que podem ser transferidos para programas aéreos, especialmente LATAM Pass e Smiles. O diferencial do Ultravioleta é o cashback de 1% sobre todos os gastos em forma de pontos — ou seja, você nunca fica com zero de retorno. A anuidade é cobrada, mas pode ser zerada mediante um valor mínimo de gastos mensais.
Santander (Programa Esfera)
O Santander opera com o programa Esfera, que funciona de forma similar à Livelo. Os cartões premium do Santander (Mastercard Black, Visa Infinite) acumulam pontos que vão para o Esfera e podem ser transferidos para programas aéreos. O Santander também tem parcerias com lojas e restaurantes que multiplicam os pontos em transações específicas.
Quanto Você Precisa Gastar para Conseguir uma Passagem?
Aqui está a conta que a maioria das pessoas não faz antes de escolher um cartão de milhas. Uma passagem doméstica em classe econômica pode custar entre 10.000 e 25.000 milhas, dependendo da rota, data e companhia aérea. Uma passagem internacional pode exigir 40.000 milhas ou mais.
Se o seu cartão acumula 1 ponto por real gasto, você precisaria gastar entre R$ 10.000 e R$ 25.000 apenas para uma passagem doméstica simples — sem contar que a conversão de pontos para milhas pode não ser 1 para 1. Cartões que acumulam 2 ou 3 pontos por real gasto reduzem essa barreira pela metade ou um terço.
A Conta Fechada: Anuidade vs. Milhas Geradas
Antes de contratar um cartão premium de milhas, faça esse cálculo simples:
- Qual é a sua média de gastos mensais no cartão?
- Quantos pontos você acumula por mês com essa taxa de acúmulo?
- Em quantos meses você teria pontos suficientes para uma passagem de interesse?
- O valor dessa passagem supera o que você pagaria de anuidade no mesmo período?
Se a resposta for sim, o cartão compensa. Se o custo da anuidade for maior do que o valor das milhas geradas, você está pagando para não ter benefício algum. Nesses casos, um cartão sem anuidade com cashback pode ser financeiramente mais vantajoso.

Estratégias para Acumular Milhas Mais Rápido
1. Concentre Gastos em Um Único Cartão
Dispersar os gastos entre três ou quatro cartões divide o acúmulo e dificulta chegar ao saldo mínimo para resgatar passagens. Escolha o cartão com melhor taxa de acúmulo e concentre nele tudo que puder pagar no crédito: supermercado, farmácia, assinaturas, combustível.
2. Pague Contas Recorrentes no Cartão
Streaming, internet, energia, água, academia — se a empresa aceita cartão de crédito, cadastre a cobrança. São gastos que você já teria de qualquer forma, e cada real conta no acúmulo de pontos.
3. Aproveite Promoções de Bônus de Transferência
Livelo, Esfera e outros programas de pontos eventualmente oferecem bônus de 50%, 80% ou até 100% na transferência para companhias aéreas. Guardar os pontos no banco e transferir apenas durante essas promoções pode dobrar o valor das suas milhas.
4. Use Pontos para Bagagem e Taxas, Não Só Passagens
Nas companhias brasileiras, você pode usar milhas para pagar taxas de embarque, despachar bagagem e até upgrade de assento. Em alguns casos, essa troca tem um custo por milha menor do que resgatar a passagem inteira — o que pode ser interessante para otimizar o saldo.
5. Fique Atento à Validade dos Pontos
Pontos e milhas têm prazo de validade. No Smiles e no LATAM Pass, as milhas costumam expirar se a conta ficar inativa por um período determinado. Para evitar perder o saldo, faça pelo menos uma transação (acúmulo ou resgate) dentro do prazo estipulado pelo programa.
Quando as Milhas NÃO Compensam
Nem todo perfil de consumidor se beneficia de um cartão de milhas. Se você:
- Gasta menos de R$ 2.000 por mês no cartão;
- Não viaja de avião com frequência;
- Não tem disciplina para pagar a fatura no vencimento;
- Está com o score de crédito baixo e buscando reconstruir o histórico;
...provavelmente um cartão de milhas premium não é a escolha certa agora. O risco de pagar juros do rotativo (que são altíssimos) para acumular milhas é um erro financeiro grave — você perde muito mais do que ganha.
Milhas vs. Cashback: Qual Rende Mais?
Essa é uma das discussões mais frequentes entre usuários de cartão. A resposta depende do seu perfil:
- Milhas vencem quando você resgata em passagens internacionais ou upgrades de cabine, onde o valor por milha é alto. Uma passagem em business que custaria R$ 15.000 resgatada por milhas pode representar um retorno de 3% a 5% dos gastos.
- Cashback vence quando você não quer se preocupar com programas, validade, parceiros e transferências. O dinheiro cai na conta, simples assim. Para quem gasta menos de R$ 3.000 por mês ou não viaja com frequência, cashback costuma ter retorno mais previsível.
Para uma comparação mais aprofundada, veja como funcionam os cartões com cashback e calcule qual estratégia faz mais sentido para os seus hábitos de consumo.
Como Escolher o Cartão Certo para o Seu Perfil
Faça as seguintes perguntas antes de solicitar:
Quanto você gasta por mês no cartão?
Abaixo de R$ 2.000: dificilmente um cartão com anuidade alta vai compensar. Acima de R$ 5.000: cartões premium começam a fazer sentido, desde que a taxa de acúmulo seja boa.
Para qual companhia aérea você quer acumular?
Se você voa LATAM, priorize cartões com transferência direta para LATAM Pass com boa paridade. Se voa Gol, Smiles é o destino. Se voa Azul, TudoAzul. Transferir para o programa errado pode significar milhas que você nunca vai usar.
Você tem a anuidade zerada por gastos ou precisa pagar?
Muitos cartões premium zeram a anuidade se você atingir um gasto mínimo mensal. Se você consegue cumprir essa meta naturalmente, o cartão pode custar zero — e as milhas são ganho puro.

O mercado de cartões de milhas no Brasil é competitivo e está em constante evolução. Bancos digitais como Nubank e C6 trouxeram mais opções acessíveis, enquanto os bancos tradicionais como Itaú, Bradesco e Santander ainda dominam os cartões de maior acúmulo para clientes de alta renda. A chave é conhecer o próprio perfil de consumo antes de assinar qualquer contrato.

Fernanda Moreira
Economista que trabalhava no Serasa e hoje ajuda pessoas a entender score, limpar o nome e organizar as finanças pessoais.









